quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

The Perfect Partner / O mais que (demais de) Perfeito

"So go ahead and ask her for happy ever after..."

Há um tempo era criticada por ser utópica. Utópica nas relações sociais, nas ideologias políticas, na carreira, nos relacionamentos, no estilo de vida e até mesmo na alimentação.
Frases como: “Essa sua vida bucólica não existe”; “As pessoas são más”; “Se você continuar se esgueirando dos homens vai acabar ficando pra tia”; “A sociedade ainda não está preparada pra isso”; “Já foi comprovado que Marx era U-TÓ-PI-CO”; “Não viaja!”; “Você fumou maconha?”; “É impossível!”, eram de praxe.
Até que, para “experenciar”, pensei: “Hum, gente normal, por que não?”. E lá me embrenhei a “entregar meu coração” a uma dessas gentes como todas as gentes, jovens, que seguem um estereótipo qualquer (retrô, indie, alternativo, “odeio estereótipo”, “normal”, “diferente”, emo, punk, gótico, hipie, etc.) e que independente da classificação, no frigir dos ovos é a tal gente comum que de encantada não tem nada. E, assim como Camões que por um momento foi querer fazer como “todo mundo” e acabou sendo castigado, comigo se passou o mesmo. Por isso decidi, volto ao meu “príncipe encantado”.
E aí perguntam-me: como ele seria?
Digo que seria simples, de coração e mente humilde. Do tipo que não olha as pessoas de cima para baixo julgando-se superior e demonstrando isto apenas com a postura e os gestos, que não sinta culpa, raiva, ira, inveja, ódio, ciúmes e se por algum acaso alguma vez vier a senti-los que tenha a hombridade de admiti-los, pois o que os lábios negam, todo o resto revela. Que seja sempre sincero e verdadeiro, pois as omissões e as mentiras são tolas, falhas e de nada adiantam (afinal, não foi à toa que já me apelidaram de “Olhos de Tundhera” e “Bruja Afeganistesa”).
Que seja, doce, gentil e saiba cozinhar (para os dias que eu estiver dando plantão). Que não seja indiferente à vida, e já que está nela, saiba apreciá-la. Que seja audaz, pró-ativo e dado à loucuras sãs, surpresas e aventuras inesperadas, uma pessoa surpreendente a cada dia.
Que não me ligue todos os dias, várias vezes, pois aí é obsessão e enjoa, mas que me ligue, numa hora inesperada, no momento adequado.
Que também tenha por hábito mandar cartas, bilhetes curtos ou até mesmo um romance de duzentas páginas escrito à punho, pois não há nada mais fraternal do que ofertar a própria letra em forma de carinho.
Que não tenha vergonha de ser romântico e piegas, por mera ideologia. Que não seja violento, nem com as palavras. Que saiba conversar e não impor as suas opiniões como verdades absolutas. Que não xingue, não humilhe, não ofenda (nem em língua estrangeira). Que saiba pedir perdão, que saiba perdoar. Que seja sorridente, principalmente internamente e não apenas uma boca a mostrar os dentes para esconder alguma dor. Que goste das artes, todas elas, que conte histórias. Que me ame, mas que acima de tudo se ame, tanto que seja incapaz de agredir o próprio organismo usando álcool, drogas, cigarro, etc. Que não seja orgulhoso em demasia, mas que possua o mínimo necessário desse sentimento. Que seja divertido, alegre, que não seja pernóstico em exagero, que evite citações no meio de uma conversa. Que não aprecie TV, mas goste de cinema. Que seja lindo, de todas as formas que uma pessoa possa ser linda. Que acredite em Deus, que acredite na possibilidade de uma sociedade melhor, que simplesmente acredite. Que seja esperançoso e otimista. Que não seja muito mais velho, nem muito mais novo. Que seja vegetariano e se não for, que pelo menos esteja disposto a tornar-se, e se não conseguir que aceite a própria natureza sem simulações pretensiosas. Que seja mais coração do que cérebro, afinal, uma pessoa burra é até suportável mas insensível... jamais! Que seja cooperativo e não ligue de lavar a louça ou o banheiro de vez em quando. Que seja cheiroso. Que seja responsável. Que admita os próprios erros e não tenha pudor nem use de eufemismos para falar dos meus erros.
Que tenha amor pelo mundo e por todas as criaturas viventes e que, pelo menos por respeito mas principalmente por amor, mantenha relações afetivo-amorosas apenas comigo, que saiba honrar um lar e a família.
Se alguém disser que tudo isso que eu disse é impossível, eu contesto, afinal, conheço ao menos umas três mulheres assim, creio que não seria impossível um homem com tais características.

Um comentário:

Srta. Morango disse...

Lindo!!!
Coisas de um Sol, mesmo...
Nem tudo são dias de chuvas e quando o Sol falta muito pede-se...

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